Mobilizados para resistir

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O momento que atravessamos é de grande preocupação e temos de estar preparados para as respectivas consequências.
A nível associativo, todos os meses vamos tendo baixas nas nossas fileiras e algumas delas atingem a nossa primeira linha. A morte do José Girão, presidente da Direcção da Delegação de Coimbra, no dia 6 deste mês, atingiu-nos em cheio, pois ele era um dos nossos guerreiros da primeira hora e da primeira linha e sempre assim se manteve, apesar das feridas que trouxe da guerra e do terrível mal que acabou por derrubá-lo. O conselheiro nacional Manuel Bastos caracteriza-o bem no texto que publicamos nesta edição: “mobilizador de vontades, ajuntador de ideias, moderador de conflitos, construtor de amizades”. Quem conheceu o Girão sabe bem que foi tudo isto, não só no âmbito da sua Delegação, mas a nível nacional. Muitas vezes, foi em Coimbra que a ADFA se definiu e se engrandeceu.
A perda dos que vão partindo é a parte visível da guerra que vamos travando e para ela não temos maneira fácil de recomposição e refrescamento das nossas fileiras. Os que vamos ficando temos de ocupar os seus lugares e aquilo que não podemos substituir em número e valia, temos de o fazer recorrendo à nossa força anímica, à garra que sempre tivemos para ir à luta.
Outra guerra rebentou e alastrou, imparável, à escala global. O Coronavírus (COVID-19) está a atingir cada um de nós, obrigando-nos a alterar hábitos e a reflectir sobre a insignificância do ser humano no Universo, pois apesar de todas as criações científicas e tecnológicas, não dispomos de nenhuma arma eficaz para aniquilar um ser tão pequenino e nocivo, cujos estragos ainda estamos longe de avaliar. Para combater nesta guerra invisível temos de estar alerta, cumprir estritamente as normas de contenção que as autoridades de saúde têm divulgado para protecção de todos.
Os Órgãos Sociais Nacionais e das Delegações têm estado a coordenar esforços e iniciativas e as medidas que tomaram até agora vão no sentido de proteger o mais possível a nossa comunidade associativa, cujos elementos são especialmente vulneráveis a este vírus. Nesse esforço associativo foram canceladas as reuniões do Conselho Nacional e da Assembleia-Geral Nacional Ordinária. O apelo que é feito a nível nacional aos associados é de que se mantenham protegidos e que em vez de se deslocarem às instalações da ADFA, telefonem ou enviem mensagem de correio electrónico. O COVID-19 não conhece fronteiras e não discrimina; pode ser perigoso para qualquer cidadão, atacando subtilmente e de forma muitas vezes perigosa.
A ADFA continua em funcionamento permanente, pois a vida não pode parar, e os seus dirigentes e colaboradores continuam a fazer o seu trabalho e a dar conta do que se vai passando. O ELO é o mensageiro privilegiado junto dos associados e, nesta crise, está no terreno e atrasou a saída desta edição para poder publicar o Relatório Operacional e Contas de 2019, dependentes da apreciação do Conselho Nacional que estava previsto para o dia 14, com a inevitável alteração de todo o conteúdo editorial deste número no próprio dia do fecho da redacção. E foi providencial esta demora, pois deu-nos tempo de receber e preparar a divulgação, mesmo no momento mais crítico da situação, das directivas emanadas pelas autoridades de Saúde Pública e pela Direcção Nacional da ADFA.
A vida associativa continua e o ELO mostra como foi recebido o senhor ministro da Defesa Nacional na Delegação de Bragança e nas suas páginas os leitores ficam também a saber que está a ser reposto, ainda que gradualmente, o fornecimento de próteses, ortóteses e outros produtos de apoio aos DFA, tendo a ADFA interpelado os governantes e a Instituição Militar para esse outro problema de fundo, que tão gravemente nos tem atingido.
A audiência com a senhora secretária de Estado dos Recursos Humanos e Antigos Combatentes evidencia a preocupação do Governo com as questões apresentadas pela Associação, tendo sido solicitada à ADFA informação circunstanciada quanto às entropias verificadas na aplicação dos direitos dos deficientes militares por parte da Instituição Militar.
O apelo da ADFA aos seus associados, familiares e amigos é de que RESISTAM nesta conjuntura adversa, de uma guerra invisível cujos efeitos patológicos, sociais, económico-financeiros e humanos estão longe de ser conhecidos. No cumprimento das determinações das autoridades e no incentivo da solidariedade que sempre foi uma realidade na Associação, é numa consciente e responsável serenidade em combate que venceremos, para que a Vida continue.